Pedreiras e a sua História PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

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A Freguesia de Pedreiras foi criada pela Lei 1702, de 19 de Dezembro de 1924 e constitui hoje um dos polos mais importantes do concelho de Porto de Mós. A 5 de Agosto de 1925 havia sido criada como Paróquia, por provisão do então Bispo de Leiria D. José Alves Correia da Silva, tendo como orago São Sebastião.

Na altura foi desmembrada das freguesias de São João Batista e São Pedro de Porto de Mós e da de São Miguel do Juncal) e ficou constituída por mais de duas dezenas e meia de lugares habitados, que ainda hoje existem. Contudo, desconhece-se quando se iniciou a constituição como povoado, embora se pense que no século XIV já existissem moradores nessas área, porquanto a construção da Capela de São Sebastião ter-se-á iniciado em 1602, por devoção de uma pessoa abastada na época, isto a fazer fé no “Couseiro - ou Memórias do Bispado de Leiria”, cuja primeira edição, data de 1868, contendo textos escritos muito anteriormente. Conhecida até cerca da década de vinte do século passado como Pedreiras dos Carvalhos, por ser abundante a existência de carvalhos na região e, ao mesmo tempo pela quantidade de explorações de pedra que por aqui abundavam. Ainda hoje se podem verificar locais de onde foi extraída muita da pedra “aparelhada” que se encontra por várias zonas do país, aplicada em monumentos e outros edifícios. Segundo as tradições o topónimo Pedreiras apareceu por via do fornecimento de pedra para a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Mosteiro da Batalha, o que não se encontra totalmente provado, por escassez de documentos, embora haja escritos posteriores àquela construção que o afirmem.

O que se sabe e há documentação nesse sentido, é que foi fornecida muita pedra para a reconstrução daquele monumento, nos finais do século XIX e princípios do século XX, pedra extraída das pedreiras do Cabeço do Roxo e do Outeiro. No entanto, nas Memórias Paroquias da freguesia de São Pedro, o vigário da paróquia escreveu em 1758 que na localidade chamada Pedreiras há muitas “canteyras de pedra muito branca. (…) Della se tem fabricado magníficos edifícios e sumptuosos templos como são o Real Convento da villa da Batalha, e a Cathedral da cidade de Leyria, e outros muytos”. Como se calcula, a extração de pedra foi uma das principais atividades que aqui existiu, a par da agricultura e da transformação do barro. Como havia também grandes áreas de plantações de oliveiras e, por via disso, grande produção de azeite, existiram muitos lagares de azeite.

A atividade de transformação do barro vermelho, sobretudo em peças de olaria, nomeadamente tachos, panelas, alguidares e outras, assim como a telha de canudo e o tijolo de burro, estes muito utilizados na construção, foram também fonte de riqueza da freguesia, com particular incidência nos lugares de Tremoceira, Cruz da Légua e Moitalina. Mais tarde, foi esta atividade foi modernizada, havendo boas e modernas unidades de produção de telhas, tijolos e acessórios, assim como, de peças de olaria. A indústria de barro branco foi também desenvolvida, inicialmente com uma fábrica de louças domésticas na Cruz da Légua e depois com várias unidades de louças decorativa. Destaca-se ainda uma outra atividade que funcionava só no Verão e hoje está totalmente desaparecida, a tanoaria, fabrico de vasilhas para armazenagem de vinho. Recorda-se também aqui a existência da Feira dos Treze, uma feira de gado e artefactos para a agricultura que se realizava todos os meses, no dia 13 e que chegou a ser considerada uma das mais importantes feiras da região. Esta feira terá sido criada por provisão do Rei D. José I, em Junho de 1757, nos dias 25 de cada mês, a pedido do “juiz e mais Irmãos da Irmandade e Confraria de S. Sebastião das Pedreiras”.

Há dados concretos de que existiu nesta localidade uma estalagem da Mala Posta, de que ainda poderemos encontrar o enorme portão da entrada. Esta estalagem terá sido criada exclusivamente para utilização da Malaposta, que durou cerca de seis anos, devido a, talvez má gestão, embora a estalagem ainda funcionasse como tal durante alguns anos. Atualmente os edifícios onde funcionou a estalagem é de propriedade privada. Segundo a tradição, terá havido ainda outras, uma localizada na Feteira e outra no lugar do Covão.

A Freguesia das Pedreiras localiza-se no concelho de Porto de Mós, a Oeste da Serra dos Candeeiros, confinando com as Freguesias de Calvaria de Cima, Juncal, São João Baptista, São Pedro, São Vicente de Aljubarrota e Serro Ventoso. Faz parte integrante do Distrito de Leiria e é atravessada pelas Estradas Nacionais nºs. 1, 8 e 242-4. Em termos judiciais pertence à Comarca de Porto de Mós.

Os lugares que compõem a Freguesia são: Adro, Alto Pessegueiro, Azoio, Barreiro, Borda da Estrada, Cabeço, Cabeço do Roxo, Casal Boieiro, Casal d’El-Rei, Casal da Fonte, Casal da Luísa, Casal da Nogueira, Casal das Simoas, Catraia, Cavadas, Cavadinha, Costa Larga, Covão, Cruz da Légua, Dinez, Eiras, Feteira, Frangulhão, Mafarra, Martinos, Matos, Moitalina, Outeiro, Outeiro de São Sebastião, Outeiros, Pé da Serra, Pedreiras, Pinhal Verde, Rodeiro, Santeira, Solão, Tremoceira, Valdivinos, Vale Cheiro, Vale Travelho e Venda.

(atualizado 14-03-2014)

 
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