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É muito antigo o costume de, nas noites da véspera dos dias dos três Santos Populares - Santo António, São João e São Pedro - se realizarem fogueiras. Intrinsecamente, à fogueira preside mais a magia que qualquer sentimento para com o santo. A fogueira é uma espécie de esconjuração da serpente, representada nas cobras e lagartos. E são também um pretexto para rapazes e raparigas permanecerem fora de casa, noite fora.
A fogueira pode ser familiar ou colectiva, e é sempre feita na rua, habitualmente num largo com espaço suficiente para não estorvar o trânsito de peões e do gado e para permitir o «balanço» para uma curta corrida. As fogueiras colectivas juntam rapazes e raparigas da vizinhança .
Após a ceia (jantar) e caída a noite há algum tempo, acendem-se as fogueiras. A boa fogueira tem de emitir muito fumo , o qual entranhando-se pelos buracos das paredes sem reboco e pelos palheiros e currais, se julga ter o condão de afastar por toda a temporada os bichos peçonhentos. Por sobre ela saltam os assistentes, ao mesmo tempo bradam: "cobras e lagartos, fujam todos para os seus buracos!".
Nessas fogueiras, os rapazes e raparigas solteiros, queimavam a crista de uma alcachofra pensando na pessoa amada, depois mergulhavam em água fria, a crista queimada e enterravam-na na terra num lugar escolhido por cada um. No dia seguinte todos iam ver as alcachofras que haviam queimado na noite anterior. Se a crista da alcachofra estivesse florida, então o seu amor seria correspondido, se não estivesse novamente reflorescido, então a pessoa que tinha pensado aquando queimavam a dita alcachofra não o correspondia em amor.
Actualmente, este costume está a cair em desuso, pelo facto de a lei proibir as queimadas e fogueiras nesta época. Contudo ainda há quem arrisque a praticar o ritual, onde se salta à fogueira, e se cumprem alguns costumes deste ritual.
"PORTO DE MÓS E SEU TERMO, 1977,de António Martins Cacela". O que está escrito a itálico foi escrito, para tentar retratar como se vivem actualmente os costumes da nossa terra.
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